segunda-feira, 16 de março de 2015

Quaquarelando com Cláudia Banegas

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Inaugurando a nossa coluna de entrevistas, quem está hoje tagarelando com o Quaquarelo é uma poetisa também fã de leituras e quadrinhos. Estudante de História, fã de Clarice Lispector e Fernando Pessoa, ela também tem uma admiração especial pelo Stan Lee e a primeira família de super-heróis dos quadrinhos: O Quarteto Fantástico.
Ela também é editora de uma revista especializada em Literatura. Com vocês...

Coliseu dos Quadrinhos- Claudia, obrigado pela oportunidade de entrevistá-la. Onde você nasceu e onde mora atualmente?
Cláudia Banegas- Agradeço a oportunidade, estou muito feliz em participar desta entrevista. Eu nasci no dia primeiro de abril do ano de 1966 no bairro de Boa Vista, centro de Recife, PE. Vim com meus pais para o RJ quando tinha apenas um ano de idade. Moramos um ano em Niterói e depois
meu pai resolveu mudar para a cidade de São Gonçalo, onde estou há 47 anos.

Coliseu dos Quadrinhos- Qual a sua formação e especialização?
Cláudia Banegas- Eu tenho o curso superior incompleto. Faço História pela Faculdade Estácio de Sá. Interrompi a faculdade no segundo semestre, mas ano que vem estarei retornando com tudo. Tenho meu trabalho,sou funcionária pública federal concursada pelo Ministério da Saúde; trabalho em um Centro de Processamento de Dados.

Coliseu dos Quadrinhos-  Como surgiu o seu gosto pela poesia e pelos quadrinhos? Em que tais artes a influenciaram?
Cláudia Banegas- Eu escrevo poesia desde os doze anos. Sempre gostei muito de me expressar. No segundo grau, meus amigos tinham muita dificuldade na hora de escrever redações e me pediam ajuda. Eu sempre tive muita criatividade. Quanto aos quadrinhos,meu pai, que era do Ministério dos Transportes, quando se aposentou, trabalhou muitos anos em uma banca de jornal.
Eu tinha acesso às revistas da Ebal, na época. Lia muito também A Turma da Mônica, Bolota, Recruta Zero, etc. assim como Marvel e DC Comics. Assim nasceu o meu interesse e paixão pelas histórias em quadrinhos.

Coliseu dos QuadrinhosQuem são os seus ídolos e inspiração na poesia e nos quadrinhos?
Cláudia Banegas- Na poesia, destacam-se Clarice Lispector e Fernando Pessoa. Ambos são enigmáticos para mim, fontes de segura inspiração.
Nos quadrinhos, sem dúvida, Stan Lee. Ele é o Mestre, o General supremo.

Coliseu dos QuadrinhosComo foi a infância e do que mais brincava?
Cláudia Banegas- Minha infância foi boa, mas poderia ter sido melhor. Tenho um irmão 13 anos mais velho do que eu, então, não tive uma irmã com quem brincar, sempre fui tímida e retraída. Isso ajudou para que a minha infância fosse bem solitária, mas em compensação, ajudou a construir em mim uma capacidade quase infinita de criar, pois eu inventava minhas próprias brincadeiras e um verdadeiro roteiro de novela e recriava tudo com as bonecas que tinha (e não eram poucas).

Coliseu dos QuadrinhosQual fábula infantil mais se identifica?
Cláudia Banegas- O patinho feio. Eu sempre me senti fora dos padrões. Não gostava do meu cabelo crespo, não gostava de ser muito magra.
Acho que, quase chegando aos 49 anos, nunca me senti tão bem. Na verdade descobri com o tempo que sou um lindo cisne.

Coliseu dos QuadrinhosVocê se lembra da primeira poesia escrita? E do que ela falava?
Cláudia Banegas- Lembro, mas infelizmente não a tenho mais. O caderno com poesias do passado foi perdido,  mas elas falavam do par de tênis All Star surrado que eu tinha.

Coliseu dos QuadrinhosQuem são os seus personagens (quadrinhos, TV e/ou teatro) preferidos?
Cláudia Banegas- Nos quadrinhos, sem dúvidas, o Quarteto Fantástico, a família mais amada da Marvel.
Na TV vejo alguns animes, mas os filmes do Hayao Miyazaki são incríveis, amo todos!
Personagem de teatro não posso dizer, vou pouco ao teatro. Um bom hábito que pretendo criar.

Coliseu dos QuadrinhosFale um pouco pra gente sobre o seu projeto jornalístico "Sinestesia" e como está fazendo para desenvolvê-lo.
Cláudia Banegas- Sinestesia envolve sensações de nossa percepção. A revista digital literária Sinestesia vem para marcar um divisor de águas. Ela abre espaço para aqueles que estão se movendo no mundo das artes em todas as suas mais variadas forma de expressão. Quem escreve, quem pinta, quem lê, quem dança, quem declama, quem cozinha, é claro, por que não? Cozinhar também é uma arte e a culinária faz parte da cultura de um país. Temos colaboradores, colunistas, parceiros e um responsável pela parte gráfica extremamente profissional e competente.
Visão, audição, tato e paladar, todos os sentidos juntos em uma só revista, proporcionando alto nível e qualidade de conteúdo aos seus leitores a cada edição. Estamos divulgando nas redes sociais, em grupos específicos e a revista está disponibilizada gratuitamente na internet. Temos outros projetos que serão inseridos na revista com o passar do tempo. É só aguardar.

Coliseu dos QuadrinhosO que você acha do quadrinho nacional? Acredita no potencial do mercado de produções autorais independentes, assim como para os poetas iniciantes?
Cláudia Banegas- Estou maravilhada com o que o pessoal ligado aos quadrinhos brasileiros está fazendo. Estão crescendo não só em número, mas a qualidade do trabalho está sendo aperfeiçoada mais e mais. Vale lembrar que um dos desenhistas mais conceituados da Marvel é brasileiro (Mike Deodato), ao menos na minha humilde opinião. As produções independentes estão ganhando força e o mercado, em pouco tempo, não será mais monopolizado pelos estrangeiros. O quadrinho nacional é excelente, com um potencial enorme. Falando dos poetas iniciantes, acho que encontram as mesmas dificuldades dos ilustradores, desenhistas, pessoas que possuem talento mas não encontram espaço para expor. Ainda é muito difícil publicar um livro no Brasil, sendo um escritor desconhecido. Acredito que deve ser igualmente difícil para um ilustrador, um quadrinista, ganhar seu espaço e publicar algo que seja significativamente diferente para chamar a atenção da mídia. Temos que batalhar e muito promovendo e divulgando nosso trabalho.

Coliseu dos QuadrinhosVocê faz alguma pesquisa para criar seus textos?
Cláudia Banegas- Tenho  lido muito Cecília Meireles, Florbela Espanha, Fernando Pessoa e Clarice Lispector. Meus poemas surgem de ideias que muitas vezes surgem ou logo ao anoitecer, nas madrugadas ou logo ao amanhecer... não perco a inspiração, não a deixo passar. Não pesquiso, apenas me mantenho aberta para que as ideias venham e procuro aproveitá-las da melhor forma possível.

Coliseu dos QuadrinhosVocê tem algum ritual para se inspirar? Segue alguma disciplina para cumprir seus projetos pessoais artísticos?
Cláudia Banegas- Eu preciso de silêncio. Uma pessoa falando demais ao meu lado enquanto eu tento me concentrar para encontrar a palavra certa que pode fechar um poema, é extremamente irritante. Gosto de me cercar de muitos livros, canetas de cores diferentes e cadernos. É algo particular... posso escrever com a caneta azul, ou preta, ou vermelha... depende do momento. Tirando a necessidade do silêncio, não sigo nenhum ritual... a inspiração chega até a mim como quer, eu não posso forçar seu surgimento.
Ela vem e vai quando e como quer. Ela é livre. Assim eu também sou livre. Não me prendo a prazos.

Coliseu dos QuadrinhosHá alguma novidade que possa compartilhar sobre o seu projeto?
Cláudia Banegas- Estou sempre trabalhando e pensando em agradar meus leitores. Sinestesia é um ótimo projeto, o site Borboletando Poesia também é um carro-forte porque lá divulgo meu trabalho e o trabalho de pessoas que, às vezes, não conheço tão bem, mas sei que possuem talento, ou precisam de mais um espaço para divulgação. Não dificulto nada.  Ainda este ano estarei
lançando meu segundo livro só de indrisos. Também será um marco. Aguardo muitas outras novidades na minha vida literária em 2015.

Coliseu dos QuadrinhosQual conselho você daria para um profissional que pretende seguir na mesma carreira artística? Obrigado pela participação e tenha muito sucesso!
Cláudia Banegas- Acredite sempre em si mesmo, até quando a inspiração resolver dar uma volta e ficar semanas ou meses sem dar notícias.
Escrevendo, desenhando, cantando, pintando, enfim... o que quer que você faça, faça com paixão. Respeite-se. Seja a primeira pessoa a dizer: meu trabalho é demais! Tenha verdadeira paixão pelo que você faz, pois nada valerá a pena se não for feito com paixão. Fazer algo por obrigação é uma penitência. Quando há amor e prazer, o trabalho flui com leveza. Obrigada pela oportunidade e pelo espaço. Sucesso a todos nós!

Por Leo Vieira

Um comentário:

  1. Maravilha de entrevista! Obrigada ao Coliseu dos Quadrinhos por esta oportunidade, sucesso!

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